É um nome bonito, com um som bonito, tanto tem algo de forte, como de delicado. É também um dos mais populares do século XXI em Portugal e bem antes no Brasil.
A popularidade poderá trazer alguns constrangimentos para quem gosta do nome mas não aprecie a ideia da popularidade, pois o Gustavo pode não vir a ser só tratado por Gustavo, mas sim por Gustavo+sobrenome ou mesmo só pelo sobrenome.
Para quem gosta muito e a popularidade não incomodar é, sem dúvida, um nome espectacular. Até para quem gosta de nomes monárquicos, fica a informação que este foi usado por 6 reis suecos, sendo bastante comum em países nórdicos.
Relativamente à origem, Gustavo é a forma portuguesa, espanhola e italiana do sueco Gustav. A sua origem não é clara, existindo várias versões, com vários significados:
- Ou vem da união de dois elementos do nórdico antigo Gautr - Goth (Godos) e Stafr - Staff (funcionário). Vindo de Gautstafr significaria algo como bastão dos Godos, mas há quem defenda que na realidade quererá dizer líder dos Godos, ceptro do Rei;
- Ou vem do nome medieval eslavo Gostislav, que surge da união de Gosti (convidado) e Slava (glória), tendo como significado convidado glorioso.
Numa pesquisa ao SPIE podemos verificar que Gustavo não foi muito utilizado no século XX em Portugal, tendo sido bastante estável no número de registos até à década de 70 a partir da qual houve um aumento. Se não olharmos para os números até parece que houve um boom de nascimentos de Gustavos, mas ao vermos o número de registos de meninos, Gustavo não foi nada por aí além. Face à taxa de natalidade existente nessa altura, que era bem mais alta à actual, a probabilidade de encontrarmos um Gustavo nos dias de hoje cuja idade esteja entre 46 e 36 anos continua a ser baixa.
Ao pesquisar o IBGE fiquei surpresa, tinha a ideia errada de que Gustavo era um nome bastante usado no Brasil e há bem mais tempo que em Portugal. Quando consultei o quadro abaixo verifiquei que foi um nome bastante estável e muito pouco usado até à década de 50, tendo começado a crescer a partir dos anos 60, sendo o crescimento cada vez mais forte de década para década.
No caso português, parece-me que Gustavo poderá ter começado a ser popular mais recentemente, pelo facto de os pais se tentarem distanciar dos nomes mais comuns da sua década. Quantos de nós não gostávamos de nomes que na altura da nossa adolescência e infância eram raros? Lembro-me perfeitamente de muitas meninas da década de 70, 80 e até inicio dos anos 90 gostarem de Tomás, nome que era pouco comum nestas décadas e vejam qual é um dos mais comuns a partir do ano 2000!
Em 2011, Gustavo encontrava-se em Portugal no top 25 com 610 registos; subiu no ano seguinte para 840 registos, passando a estar no top 20. Em 2013 subiu dois lugares no ranking para 17º lugar, embora tenha tido menos registos: 793. Em 2014 e 2015 caiu no ranking passando a estar em 21º lugar com 706 registos em 2014 e em 22º lugar com 776 no ano de 2015.
Gostaria de pedir a opinião das brasileiras e brasileiros, quanto à popularidade deste nome baseado também um pouco nos 5 133 registos em 2015 em São Paulo. Visto que a minha teoria quanto ao distanciamento que os pais demonstram face aos nomes comuns usados na sua geração, faz sentido se calhar nos registos existentes no Brasil das décadas de 60 a 80, mas não depois. Terá que ver com o facto de ser também um nome italiano? Ou até mesmo ser espanhol, para quem está mais perto da fronteira com países hispânicos? Houve alguma figura ilustre ou pública com esse nome, que possa ter influenciado? Se bem que o Brasil é grande, o número de registos por crescerem não quer dizer que seja massivo numa só zona e que até conheçamos um.
Margarida Madeira.
Gostam de Gustavo?
Fontes consultadas:
IBGE, SPIE, Behind the Name, Público, ARPEN/SP.