Hélder, um nome de
uso quase exclusivamente português e brasileiro! Sabiam? Eu fiquei bastante
surpreendida. Curiosamente, hoje em dia são raras as crianças que nascem em
Portugal e no Brasil com este nome. Para esta publicação lançamos várias questões:
de onde vem Hélder, porque o usámos
tanto e qual o seu futuro? Vamos tentar descortinar.
A origem do
nome é bastante incerta, várias fontes propõem teorias diferentes. Ana Belo (1997) avança que Hélder é um nome de origem germânica,
que significa luminoso, límpido, uma teoria que aparenta ser
suportada por leitores e autores do Behind
the Name, quando afirmam que no holandês simplifica límpido, puro. Uma outra teoria é a de que Hélder se trate de um nome geográfico (Den Helder na Holanda) e
outra, ainda, que defende que Hélder
se trate de uma variante no nome germânico Hulderic,
que aglomera os elementos hulda (misericordioso, gracioso) e ric (poder), significando aquele que governa com misericórdia,
aquele que governa com graça.
A maior referência
com este nome é o bispo contestatário brasileiro D. Hélder da Câmara (1909-1999), conhecido pela sua luta pela defesa
dos oprimidos. É possível que tenha sido a figura carismática do bispo que
tenha lançado originalmente os primeiros Hélders
em massa. De acordo com o IBGE, o nome ficou tremendamente associado à década
de 80 no Brasil, isolando-se nesta década, o que faz com que hoje em dia (dada
a popularidade repentina de outrora) o nome seja considerado ultrapassado. Estima-se
que existam cerca de 13 mil pessoas com este nome, nascidas entre 1930 e 2000. Em
São Paulo, em 2015 nasceram 7 meninos e foram registados alguns compostos como Helder Vinicius e Helder Gabriel.
Em Portugal,
curiosamente, o interesse por Hélder
parece ter começado umas décadas antes. No ano de 1946, Hélder atinge historicamente os 100 registos anuais e a partir daí
foi sempre a subir até ao ano de 1977 onde atinge 1173 registos anuais! A época
dourada dos Hélders deu-se mais cedo
em Portugal e hoje em dia é memória dos anos 70! A partir de 1977 começou a
descer bruscamente na popularidade até aos nossos dias onde foram registados 29
em 2013, 20 em 2014 e 23 em 2015. Em 2014 foram registados 21 diferentes
compostos, entre os quais Hélder Dinis,
Hélder Miguel e Hélder Rafael.
Referências
bem mais recentes e modernas são o grande poeta português Herberto Hélder e o
jogador de futebol português Hélder
Postiga.
Que acham?
Fontes consultadas:
Ana Belo (1997) Mil e tal nomes próprios, ARPEN/SP,
Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE.
