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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Hélder


Hélder, um nome de uso quase exclusivamente português e brasileiro! Sabiam? Eu fiquei bastante surpreendida. Curiosamente, hoje em dia são raras as crianças que nascem em Portugal e no Brasil com este nome. Para esta publicação lançamos várias questões: de onde vem Hélder, porque o usámos tanto e qual o seu futuro? Vamos tentar descortinar.

A origem do nome é bastante incerta, várias fontes propõem teorias diferentes. Ana Belo (1997) avança que Hélder é um nome de origem germânica, que significa luminoso, límpido, uma teoria que aparenta ser suportada por leitores e autores do Behind the Name, quando afirmam que no holandês simplifica límpido, puro. Uma outra teoria é a de que Hélder se trate de um nome geográfico (Den Helder na Holanda) e outra, ainda, que defende que Hélder se trate de uma variante no nome germânico Hulderic, que aglomera os elementos hulda (misericordioso, gracioso) e ric (poder), significando aquele que governa com misericórdia, aquele que governa com graça.

A maior referência com este nome é o bispo contestatário brasileiro D. Hélder da Câmara (1909-1999), conhecido pela sua luta pela defesa dos oprimidos. É possível que tenha sido a figura carismática do bispo que tenha lançado originalmente os primeiros Hélders em massa. De acordo com o IBGE, o nome ficou tremendamente associado à década de 80 no Brasil, isolando-se nesta década, o que faz com que hoje em dia (dada a popularidade repentina de outrora) o nome seja considerado ultrapassado. Estima-se que existam cerca de 13 mil pessoas com este nome, nascidas entre 1930 e 2000. Em São Paulo, em 2015 nasceram 7 meninos e foram registados alguns compostos como Helder Vinicius e Helder Gabriel.

Em Portugal, curiosamente, o interesse por Hélder parece ter começado umas décadas antes. No ano de 1946, Hélder atinge historicamente os 100 registos anuais e a partir daí foi sempre a subir até ao ano de 1977 onde atinge 1173 registos anuais! A época dourada dos Hélders deu-se mais cedo em Portugal e hoje em dia é memória dos anos 70! A partir de 1977 começou a descer bruscamente na popularidade até aos nossos dias onde foram registados 29 em 2013, 20 em 2014 e 23 em 2015. Em 2014 foram registados 21 diferentes compostos, entre os quais Hélder Dinis, Hélder Miguel e Hélder Rafael.

Referências bem mais recentes e modernas são o grande poeta português Herberto Hélder e o jogador de futebol português Hélder Postiga.

Que acham?


Fontes consultadas:
Ana Belo (1997) Mil e tal nomes próprios, ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE.