Suave, discreto e sensível, assim é Elisa. Transitando entre os nomes com aura vintage, muito em voga atualmente, tem como opção a grafia Eliza, mais comum em países de língua inglesa. Elisa e Eliza surgiram como diminutivos de Elisabeth e Elizabeth, mas construíram trajetórias consistentes como nomes independentes, marcando assim sua importância no mundo da onomástica. Apresentado destaque em popularidade no Brasil, é uma opção muito interessante também para Portugal.
Como já mencionado, Elisa e Eliza originalmente são nomes diminutivos e surgiram como formas curtas de Elisabeth (grafia usada por alemães, italianos, espanhóis e portugueses) e Elizabeth (inglês), respectivamente. Elisabeth é também uma forma variante em inglês (mas é menos frequente) e reflete a grafia usada no Novo Testamento (na Bíblia em português Elisabeth e Elizabeth são versionados como Isabel). Todos esses nomes têm origem em Eλισαβετ (Elisabet) , a forma grega do nome hebraico אֱלִישֶׁבַע (Elisheva) que significa Deus é meu juramento, ou ainda meu Deus é abundância. Muitos nomes estão relacionados com Elisabeth/Elizabeth, como Ella, Elsa, Betina, Lis, Eliseba, entre outros.
Atualmente, tanto Elisa quanto Eliza tem tido destaque em rankings de diversos países e essas são suas posições mais recentes:
Elisa - Itália (#23); Suíça (#34); Áustria (#39); Bélgica (#40); França (#51); México(#52)
Eliza - Inglaterra e País de Gales (#47); Austrália (#83); Hungria (#81)
Algumas figuras históricas e personagens literários ajudaram a popularizar Elisa e Eliza através dos tempos, como a princesa francesa Elisa Bonaparte, irmã de Napoleão Bonaparte e Eliza Doolittle, a personagem vivida pela diva Audrey Hepburn no clássico do cinema mundial My Fair Lady (1964), baseado na peça teatral Pigmaleão (1913), de George Bernard Shaw. My Fair Lady conta a história de Eliza Doolittle, uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres. Em uma dessas noites, Eliza conhece o culto professor Henry Higgins, que aposta com um amigo que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores em uma dama da sociedade. Lembraram de alguma coisa? Sim, é daí que vem o enredo da novela de grande sucesso no Brasil Totalmente Demais. A protagonista, vivida por Marina Ruy Barbosa, só poderia ter um nome: Eliza, claro!
Os nomes Elisa e Eliza também têm como destaque a importante escritora polonesa Eliza Orzeszkowa, indicada ao prêmio Nobel de Literatura em 1905; ainda área literária encontramos a escritora Elisa Lispector, irmã de Clarice Lispector. No cinema, o filme Elisa, Vida Minha (1977), considerado uma obra-prima do diretor espanhol Carlos Saura, narra a delicada e emocionante convivência da personagem Elisa Santamaria (interpretada por Geraldine Chaplin) e seu pai.
Um fato que dá um charme todo especial é a presença na mitologia: Dido também conhecida como Elisa, é a fundadora e primeira rainha de Cartago, hoje Tunísia. A personagem foi incluída na obra Eneida pelo poeta Virgílio.
A trajetória no Brasil tanto de Elisa quanto de Eliza, demonstra muita estabilidade. Sempre foram nomes usados ao longo das décadas com constância e moderadação, sem grandes altos e baixos, o que os classifica como nomes clássicos. O uso de Eliza é um pouco menor que o de Elisa, mas os valores são próximos. De acordo com dados do IBGE estima-se que existam 54 697 brasileiras chamadas Elisa; para Eliza o número é de 33 639. Anteriormente à década de 1930 e até 1990, os valores de registros para Elisa ficaram entre 2 218 até 8 865; nos anos 2000 atinge seu ponto máximo: 9 842 registros. Sua maior concentração de portadoras ocorre nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
A grafia Eliza tem os seguintes números: antes de 1930 até 1990 seus registros oscilaram entre 1 744 a 4 684. Assim como Elisa, sua maior popularidade também acontece nos anos 2000: 5 561 na atual década. Suas portadoras são encontradas, em sua maioria, nos estados de Mato Grosso do Sul, Roraima, Espírito Santo, Amazonas e Mato Grosso. Podemos concluir que Elisa é grafia mais usual no sul e no sudeste e Eliza no centro-oeste e norte. A grafia Elisa ocupa a posição #53 do ranking atual do site Baby Center Brasil; no estado de São Paulo, em 2015, Elisa obteve 590 registros e Eliza conseguiu 193.
Em Portugal, de acordo com dados do SPIE, Elisa teve grande destaque entre 1920 até meados dos anos 70, quando seus registros ficavam entre 118 a 206, números muito expressivos. A partir de 1978 já não ultrapassava os 100 registros; em 1980 a queda foi grande: apenas 39 registros. Essa realidade permanece até hoje: em 2015 Elisa foi registrado 26 vezes e 31 vezes em 2014. A grafia Eliza é menos usual, diria até rara: de 1920 a 1947 conseguiu apenas de 2 a 4 registros; de 1948 até 1980 não foi registrada nenhuma vez. Em 2014 foi registrada 3 vezes e em 2015 obteve 5 registros. Para aqueles que gostam de compostos, separei alguns de registros muito antigos de Portugal (entre as décadas de 1800 a 1900) que encontrei no site Associação Amigos da Torre do Tombo: Elisa Amélia, Elisa Carolina, Elisa Cecília, Elisa Florença e Eliza Guilhermina.
Referências:
- Elisa Lisboa - atriz portuguesa;
- Elisa Lucinda - atriz, cantora e poetisa brasileira;
- Elisa Ferreira - economista e política portuguesa;
- Eliza Bennett - atriz inglesa;
- Eliza Taylor-Cotter - atriz australiana
Apesar de terem se originado como formas reduzidas de outros nomes, Elisa e Eliza conquistaram sua luz própria. Clássicos com ares contemporâneos, são nomes elegantes que se enquadram nas tendências em alta entre brasileiros e portugueses, afinal Elisa e Eliza não estão distantes de nomes que estão nos nossos tops como Alice, Sofia, Júlia, Laura, Luiza (Brasil) e Clara, Ema, Eva, Laura, Olívia (Portugal). Com equilíbrio entre antigo e atual, Elisa e Eliza são lindas opções para as meninas dos dias de hoje!
Gostam de Elisa & Eliza? Qual a sua grafia favorita?
Fontes Consultadas:
Adoro Cinema, ARPEN, Associação Amigos da Torre do Tombo, Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE, Wikipédia.
