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sábado, 3 de outubro de 2015

Perpétua


Não é um nome que se adeque muito bem à nossa realidade, mas tenho muito carinho por Perpétua, por constar várias vezes na minha genealogia. Lembro-me da minha avó Angelina falar imensas vezes numa tia que ela gostava muito, mulher serena e jovial que era a Perpétua Recharte e o carinho e nostalgia com que se falava dela nunca me deixou ver o nome como desagradável ou feio. Era só… diferente! Mais tarde, quando me comecei a dedicar de forma mais intensa à construção da árvore genealógica acabei por encontrar, um século antes desta Perpétua, uma parente, noutra ramificação da família, chamada Perpétua Rosa e imediatamente os meus olhos brilharam. Era um nome já familiar, associado a um clássico bem bonito, Rosa, para além do facto de que ela tinha dois nomes literais no composto, tornando o nome além de único, poético e inspirador.

Se olharmos os registos antigos do Arquivo Regional da Madeira ou da Associação dos Amigos da Torre do Tombo, rapidamente constatamos que Perpétua não era um nome tão raro quanto isso, e no abrir do século XX era ainda muito utilizado, contando com 71 registos anuais no ano de 1931. Nos tempos mais recentes, e a julgar pela quantidade de senhoras Perpétua que cada um de nós conhece, o nome é raro em Portugal e no Brasil. Inclusive, o nome foi omisso da lista de nomes admitidos em Portugal, uma vez que quase ninguém o usa, ainda que continue a ser um nome feminino autorizado nas nossas terras.

Não sei se terá oportunidades de regressar às listas de nomes dos futuros-pais, mas o futuro é sempre incerto e há alguns anos atrás uma Valentina em pleno século XXI seria impensável, certo? Além disso, numa altura em que os nomes literais começam a ganhar força, Perpétua poderia ser uma nova opção a surgir para portugueses e brasileiros. O nome deriva do latim perpetuus, que significa contínuo ou aquela que sempre dura, aquela que é eterna.

No século III, em Cartago (África) foram martirizadas duas mulheres pela sua fé cristã, sendo aclamadas santas após a sua morte: Perpétua e Felicidade. Um par bem harmonioso e espirituoso, se me permitem. No cinema, Perpetua era o nome da colega de trabalho da inesquecível Bridget Jones e em latim havia uma expressão muito popular (esto perpetua) utilizada em tom de aclamação e bênção, “Que seja perpétua”!

Joana Recharte.


Que acham do nome?