Não é um nome que se adeque muito bem à
nossa realidade, mas tenho muito carinho por Perpétua, por constar várias vezes na minha genealogia. Lembro-me
da minha avó Angelina falar imensas
vezes numa tia que ela gostava muito, mulher serena e jovial que era a Perpétua Recharte e o carinho e
nostalgia com que se falava dela nunca me deixou ver o nome como desagradável
ou feio. Era só… diferente! Mais tarde, quando me comecei a dedicar de forma
mais intensa à construção da árvore genealógica acabei por encontrar, um século
antes desta Perpétua, uma parente,
noutra ramificação da família, chamada Perpétua
Rosa e imediatamente os meus olhos
brilharam. Era um nome já familiar, associado a um clássico bem bonito, Rosa, para além do facto de que ela
tinha dois nomes literais no composto, tornando o nome além de único, poético e
inspirador.
Se olharmos os registos antigos do Arquivo Regional da Madeira ou da Associação dos Amigos da Torre do Tombo,
rapidamente constatamos que Perpétua
não era um nome tão raro quanto isso, e no abrir do século XX era ainda muito
utilizado, contando com 71 registos anuais no ano de 1931. Nos tempos mais
recentes, e a julgar pela quantidade de senhoras Perpétua que cada um de nós conhece, o nome é raro em Portugal e no
Brasil. Inclusive, o nome foi omisso da lista de nomes admitidos em Portugal,
uma vez que quase ninguém o usa, ainda que continue a ser um nome feminino
autorizado nas nossas terras.
Não sei se terá oportunidades de regressar
às listas de nomes dos futuros-pais, mas o futuro é sempre incerto e há alguns
anos atrás uma Valentina em pleno
século XXI seria impensável, certo? Além disso, numa altura em que os nomes
literais começam a ganhar força, Perpétua
poderia ser uma nova opção a surgir para portugueses e brasileiros. O nome
deriva do latim perpetuus, que
significa contínuo ou aquela que sempre dura, aquela que é eterna.
No século III, em Cartago (África) foram
martirizadas duas mulheres pela sua fé cristã, sendo aclamadas santas após a
sua morte: Perpétua e Felicidade. Um par bem harmonioso e
espirituoso, se me permitem. No cinema, Perpetua
era o nome da colega de trabalho da inesquecível Bridget Jones e em latim havia uma expressão muito popular (esto perpetua)
utilizada em tom de aclamação e bênção, “Que
seja perpétua”!
Joana
Recharte.
Que acham do nome?
