Mais um pedido a ser concretizado, mais dois nomes a serem descobertos e nos surpreender com as suas histórias.
Eu não sou dada a ballets nem a outras danças, mas adoro música clássica e claro que é daí que conheço O Lago dos Cisnes.
Dividido em quatro atos, o ballet dramático O Lago dos Cisnes, do compositor russo Tchaikovsky, com o libreto de Vladimir Begitchev e Vasily Geltzer, estreou no Teatro Bolshoi em Moscovo em 1877. Conta a bela e dramática história de Odette, uma princesa que foi transformada em cisne por um malvado feiticeiro, de nome Rothbart, que tem a forma de uma ave de rapina.
Odette vive num lago fruto das lágrimas da sua mãe, com as suas damas também sofrendo da mesma maldição, até que numa bela noite o príncipe Siegfried a vê transformar-se em humana e se apaixona. A maldição de Odette consistia em se transformar em cisne durante o dia e humana à noite, esse feitiço só poderia ser quebrado se alguém se apaixonasse verdadeiramente por ela. O príncipe jura a Odette que a irá salvar e faz juras de amor eterno, mas lembrado por Odette regressa ao palácio onde decorria uma festa que a sua mãe, a rainha, esta a celebrar para encontrar uma esposa para o seu filho.
Chegando lá, Siegfried vê uma bela moça vestida de negro, Odile, o cisne negro e filha de Rothbart. Odile era igual a Odette, Siegfried a confunde com Odette e se derrete de amores por Odile porque ela o enfeitiça durante o bailado. Odette, entretanto, chora e é consolada pelos outros cisnes até que Siegfried aparece e pede perdão a Odette, jurando ter sido enganado por Odile. Nisto o feiticeiro e Odile surgem e Siegfried derrota o feiticeiro cortando suas asas e o seu amor verdadeiro por Odette quebra a maldição.
Odette e Odile estão por isso eternamente ligados ao Lago dos Cisnes. Que história magnífica com a sua música arrebatadora e um bailado tão romântico quanto trágico. Ao ler sobre o bailado deu-me vontade se ir ver o espetáculo e me deliciar com a bela Odette e a maldosa Odile.
Apesar de ser um bailado russo, Odette e Odile são ambos nomes franceses, mas não me admira que tenham sido os escolhidos para a obra de Tchaikovsky porque era comum na Rússia se falar francês no século passado, era sinal de requinte e bons costumes.
Odette e Odile são variantes de Odilia, sendo Odile sua forma francesa e Odette um diminutivo. Odilia é um nome de origem germânica que significa fortuna e riqueza.
Odette é diminutivo de Odilia mas também de Oda, que, por sua vez, é a forma feminina de Oto o qual partilha o mesmo significado de Odilia, fortuna.
Uma das nossas fontes afirma ainda que Odile tem também origem no germânico Otthilde que significa próspera em batalha.
Odette começa a ser visto nos Estados Unidos como um nome trendy pela sua terminação, e foi o escolhido pelo ator Mark Ruffalo para a sua filha.
Mas foi na Segunda Guerra Mundial que o nome se tornou muito badalado, isso graças à heroína da resistência francesa Odette Brailly, que arriscou a sua vida ao passar informações aos Aliados, o que fez com que fosse capturada pelos alemães. Mais tarde se tornou célebre ao escrever um livro sobre o que passou nas mãos dos nazis.
A popularidade de Odette e Odile no Brasil é baixinha, nenhum deles foi registado em São Paulo em 2017, e de acordo com o censo do IBGE Odette tem uma frequência de 1600 pessoas, tendo sido mais popular nos anos 30. Nos dias de hoje em está em desuso. Resolvi pesquisar a popularidade de Odete nesta grafia e vi que é a escrita mais popular, já contava com cerca de 68.000 pessoas até 2010, e a sua popularidade teve auge nos anos 50. Odile é ainda mais raro, com uma frequência de somente 800 pessoas, a maioria nascida durante a década de 1940.
Em Portugal, Odette e Odile são igualmente raros. Nos anos 20 Odette teve por volta dos 5 registos anuais e depois não aparece mais, porém a grafia Odete já teve cerca de 100 registos anuais desde os anos 20 até aos anos 80, altura em que caiu em desuso. No ano passado nenhum deles foi registado e Odile nem sequer é aceite em Portugal.
Apesar da ligação ao bailado russo que jamais irá entrar em decadência, Odette e Odile são nomes que a maioria considera antiquados e pesados. Dificilmente se tornarão moda, apesar de nos EUA Odette estar a chamar à atenção.
O site Nameberry diz que 80% dos leitores preferem Odette a Odile, mas eu prefiro Odile, acho mais melodioso e a terminação Ette é das que menos gosto.
E vocês? Preferem Odette ou Odile?
O que pensam sobre estes nomes?
Claudia Barata
Fontes consultadas:
Behind the Name, Nameberry, IBGE, IRN, ARPEN/SP SPIE, Wikipédia.
