Emanuela
não encanta muitos corações. A sua candura não tem sido capaz de quebrar as
cortinas do preconceito contra nomes longos e com tradição acentuada de uso
masculino em Portugal. É verdade. Manuel
é mais comum do que Manuela. E a
diferença entre Emanuel e Emanuela é abismal! Tão grande que
poucos se lembram da sua existência e ainda menos são os que apreciam o nome e
pensam nele com carinho.
Às vezes o facto de não conhecermos um
nome ou nunca termos olhado de perto faz-nos excluí-lo automaticamente das
nossas listas. Isto é um processo natural e ainda bem que assim o é, senão
gostaríamos indiscriminadamente de todos os nomes que nos aparecessem à frente,
o que seria, no mínimo, caótico. Por isso, centrando-me neste facto, vou
convidar-vos a olhar e a pensar mais atentamente em Emanuela. Pode ser que a vossa opinião não se altere de todo – o
objetivo não é impingir o nome a ninguém – mas vamos dar-lhe a oportunidade de
ser falado e comentado.
Como deve ser óbvio para a maioria, Emanuela trata-se da versão feminina de
Emanuel, um nome bíblico que
significa Deus está connosco e
corresponderia ao nome do Messias, Jesus
Cristo, assim profetizado séculos antes do seu nascimento. O seu uso ao longo
dos anos tem sido muito escasso em Portugal, durante o período 1920-1980 e
décadas posteriores, sendo que em 2013 registaram-se três meninas com este nome
e em 2014 uma, juntamente com os compostos Darah
Emanuela, Sara Emanuela e Josefa Emanuela.
No Brasil a tendência parece ser
invertida. Manuela é um
nome-sensação, em comparação com o modesto Manuel,
e Emanuel foi deixado para trás em
prol do fenómeno das Emanuelas, ou
melhor dizendo versões alternativas a este nome. De acordo com dados
disponíveis no BabyCenter Brasil,
Emanuelly foi o 36º nome feminino mais utilizado no país em 2014. No entanto,
não posso deixar de frisar que a grafia não é a mais correta, e adultera o nome
original com o presumível objetivo de o tornar mais próximo de nomes com
terminação popular (-ly) nos Estados Unidos da América. Não estaria errado,
porém, se as famílias optassem pela grafia tradicional portuguesa – Emanuela – ou pela grafia francesa – Emanuelle. Embora algumas considerações
se possam tecer sobre Emanuelle, por
ser o título de um romance e de um filme erótico amplamente difundido por
terras francesas e arredores – se isto incomodar alguém, claro. Não incomodou
certamente os pais da atriz e cantora nova-iorquina Emmy Rossum, que a
batizaram a filha de Emanuelle.
Pessoalmente, Emanuela é-me muito mais bonito, talvez por me parecer mais
português. Embora nem todos partilhem desta minha visão, vejo-o como um nome
muito terno e elegante, com um requinte muito próprio que remete para uma época
muito glamorosa. Como alguém referiu num comentário numa das fontes que
consultei, podia ser nome de uma filha de Marie Antoinette, que o charme que
transporta é facilmente equiparável. Apesar de tudo, e sabendo que hoje Marias Antonietas não as há muitas, podem existir as Emanuelas lançando o seu ar de graça nas nossas terras de Portugal.
Que acham de Emanuela?
