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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Patrícia - Por Experiência Própria



Na escolha do nome da primeira filha meus pais não chegavam a um consenso. Meu pai queria Karla (isso mesmo, com K) e detalhe que seu nome é José Carlos...minha mãe não gostou. Ele sugeriu então Jane, minha mãe também reprovou. O que ela me contava é que a filha dela não teria o nome da namorada do Tarzan! Hahahaha! Vendo esse impasse, minha avó materna deu a opinião dela: "coloquem Patrícia!". Os dois adoraram a sugestão, só que minha avó foi mais longe: "coloquem também Maria, Maria Patrícia!" Talvez pelo fato da minha avó ser Maria, e as filhas dela também serem Maria, ela tenha achado que essa estranha combinação ficaria bonita..meus pais não levaram essa parte do Maria Patrícia à sério (ainda bem!) e assim fiquei apenas Patricia. E agora vocês podem me perguntar "mas e o acento?". Fui registrada assim mesmo, sem acento, culpa de um tabelião desatento, mas tudo bem, esse pequeno detalhe nunca atrapalhou em nada a pronúncia do meu nome, até porque, na época em que eu nasci, anos 70, Patrícia era um nome da moda, estava entre os nomes mais populares do Brasil, todos o conheciam.

E sendo um nome muito utilizado, claro que tive muitas xarás ao longo do meu período escolar, e por isso, frequentemente eu era tratada pelos professores como a "Monteiro", por causa do meu sobrenome. Confesso que não gostava muito, mas essa foi a única parte chata de me chamar Patricia. De resto só tenho elogios ao meu nome, acho realmente um nome bonito, tem uma forte sonoridade, uma certa elegância, é comum mas não é enjoado, se inicia com uma letra pouco usada em nomes populares femininos (e isso me dá algumas vantagens, por  exemplo, na hora de votar, sempre pego filas pequenas, ou às vezes nem fila pego!), é internacional, facilmente reconhecível em diversos países, e tem presença, não é um nome apagado.

Em Portugal, Patrícia também desfrutou da mesma popularidade que teve no Brasil, no mesmo período (entre os anos 70/80), só que essa popularidade foi diminuindo com o passar do tempo, como aqui. Atualmente Patrícia não faz mais parte do top 100 brasileiro; em Portugal,em 2013, ele ocupou a modesta posição 87 no ranking português, com 46 registros. Em 2014 caiu para a posição 94 com 41 registros.

Nos Estados Unidos foi top 10 de 1930 a 1960( simplesmente 30 anos entre os 10 preferidos!) e top 100 de 1880 a 1904, e de 1960 a 2003( ou seja, nunca foi um nome completamente esquecido pelos americanos). Hoje em dia está na posição 143.

E a popularidade de Patrícia parece não ter fronteiras: é um nome bastante utilizado em vários países.

Patrícia deriva do latim patricius e significa "nobre" ou "da pátria". O significado de nobre provém da Roma antiga, onde a aristocracia romana, a nobreza, era chamada assim. Os fidalgos desse período eram os patrícios, aqueles q detinham a exclusiva possibilidade de se tornarem soberanos em Roma. Após a queda do Império Romano, em 475 d.c., o termo "patrício" passou a ser usado na Europa Ocidental para indicar nobres que governavam um município ou uma república aristocrática, enquanto que no Império Bizantino indicava uma dignidade da corte. Com o passar do tempo, patrício passou a significar pessoa de mesma pátria, compatriota.

Patrícia passou a ser usado como nome próprio antes da Idade Média. Duas figuras históricas ajudaram a popularizar o nome:
  • Santa Patrícia de Constantinopla - de família rica e nobre, sendo neta do imperador Constantino, o Grande, renunciou ao direito à coroa e distribuiu seus bens aos pobres antes de seguir em peregrinação à Terra Santa. Morreu em Nápoles, vítima de um naufrágio. Em 1625 Santa Patrícia foi proclamada co-padroeira se Nápoles, sendo tão comemorada quanto o padroeiro, São Genaro.
  • Patricia de Connaught (Victoria Patricia Helena Elizabeth) - membro da família real britânica, neta da rainha Victoria, filha do príncipe Arthur, duque de Connaught e da princesa Louise Margarete, da Prússia. Renunciou ao seu título de princesa britânica para se casar com o plebeu Alexandre Ramsy. Era tratada por princess Paty e Patsy pela família. Seu nome foi dado em homenagem à São Patrício (Saint Patrick, no original), pois nasceu no seu dia, 17 de março.
A versão masculina, Patrício, nunca teve boa aceitação tanto no Brasil, como em Portugal, já a versão internacional, Patrick, teve um período de relativa popularidade no Brasil, por volta do fim dos anos 80.

Patrícia em outros idiomas:
Patricia (inglês, espanhol, alemão, norueguês, francês, dinamarquês, húngaro), Patrizia( italiano), Patrikía (grego), Patrice (tcheco), Patrícija (russo)

Patrícia na mídia:
  • Patricia Arquette - atriz americana;
  • Patricia Cornwell - novelista americana;
  • Patrícia Pillar e Patrícia Travassos - atrizes brasileiras;
  • Patrícia Abravanel - apresentadora brasileira;
  • Patricia Kennedy - irmã de John Kennedy.
Finalizando, não sei se Patrícia é uma boa pedida para os dias de hoje, já que ele é um nome que foi caindo em desuso e atualmente é considerado datado. A gíria "patricinha" também contribuiu para o seu esquecimento. Para mim isso não importa muito, porque cresci feliz sendo Patricia, e eu continuo adorando me chamar Patricia, foi a melhor escolha que meus pais fizeram!

Patricia Monteiro.

O que pensam de Patrícia? Usável hoje em dia?

Fontes Consultadas:

Behind The Name, IRN Portugal, Wikipédia.