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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Qual é o melhor nome - Morgana vs. Sabrina



Atrevo-me a dizer que Morgana e Sabrina são os nomes de bruxinha mais conhecidos e que mais cativam os corações dos futuros pais na hora de nomear as suas filhas. E por este motivo não havia melhor maneira de começar a nossa semana de Halloween no Blog sem ser trazer este duelo mágico para vocês.

Morgana é um nome de origem galesa e significa mais diretamente mar circular, outras interpretações etimológicas apontam os significados mulher que veio do mar e ainda mar belo como outros possíveis significados. Em Portugal, no ano passado, foi um nome registado 7 vezes, enquanto no estado de São Paulo, em 2017, foi o antropónimo escolhido para 18 bebés.

Como foi escrito na publicação original de Sabrina "Behind the Name aponta Sabrina como a forma latinizada de Habren, aquele que terá sido o nome original do Rio Severn no País de Gales. No entanto, apesar de se conseguir seguir o rasto do nome próprio até ao nome do rio a verdade é que o significado de Sabrina continua desconhecido de todos nós. Muitas páginas na internet avançam alguns significados mas todas carecem de informação fundamentada e fidedigna." Em 2018, em Portugal, este foi o nome escolhido para 3 meninas e no estado de São Paulo, no ano anterior, foi alvo de 236 registos. 

Adoro tudo o que envolva misticismo e para mim O Dia das Bruxas é um dos melhores dias do ano. A minha escolha é Sabrina e a vossa?

Fontes Consultadas:
O BLOG DOS NOMES, IRN, ARPEN/SP.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Morgana - Convidado do Dia


O texto de hoje é nos escrito por uma participante firme do nosso grupo e contemporânea do seu início: Ana Carolina. Hoje escreve-nos sobre o seu "queridinho" Morgana:


Escolhi estrear a minha participação no blog com uma das minhas grandes paixões onomásticas: Morgana! Este nome cheio de presença, nobreza, força interna e encantamento – que, algum dia, caso tudo corra bem, tenciono dar a uma pequena fada que venha a ter como filha – enche-me os olhos, os ouvidos e o coração!

Embora a alguns possa parecer carregar uma aura bastante contemporânea, trata-se de um nome deveras antigo, associado a criações literárias produzidas durante o período medieval – cuja fonte de inspiração consistiu nas histórias da lenda do Rei Artur, todo o seu imaginário cavaleiresco e na tradição celta e pagã. Aparentemente, não há quaisquer evidências históricas de seu uso como nome por pessoas reais antes de 1600. 

Do galês Morcant ("mar circular"; "rodeado de mar"), que também dá origem à popular variante unissex Morgan entre os anglófonos, Morgana parece ter tomado forma, como personagem lendária, a partir do século XII, pelos cantos e declamações dos menestréis da Bretanha e de Gales. 

Etimologicamente, algumas fontes atentam, ainda, para o gaélico Muirgen e seu significado "mulher que veio do mar", ou mesmo para "mar belo". Tal origem aquática denota seu vínculo com as águas sagradas, de natureza espiritual, da Ilha Encantada, chamada Avalon – aquelas onde a vida se inicia e dão acesso ao "outro mundo". No folclore bretão, ela é uma ninfa; nas lendas e tradições galesas, que correspondem às primeiras narrativas, é a divindade aquática Modron, filha de Avallach, rei da mencionada Ilha. 

Originalmente, Morgana, conhecida pelo epíteto Morgana Le Fay, a Fada, era associada à deusa irlandesa Macha ou à Morrighan – sendo a primeira, segundo certas fontes, uma das faces desta última, que é a deusa guerreira, da morte e da fertilidade. Mais tarde, em outras versões, convertida em uma grande, mas (ao menos, aparentemente) simples sacerdotisa, surge como a Senhora de Avalon, ali iniciada nos mistérios da magia da religião ancestral e no culto à Deusa. 

Ademais, segundo estudiosos das lendas do ciclo arturiano, Morgana simbolizaria uma figura soberana no Reino das Almas. Nesse sentido, o vocábulo latino "Mors", que corresponde à "morte", e "Ana", em referência à mãe de Maria, revelam-na como a "Grande Mãe".

De modo geral, retratada, ao longo do tempo, como uma personalidade enigmática e paradoxal, Morgana, nas primeiras histórias, é uma fada de natureza essencialmente virtuosa, atuando como aliada de Artur na execução de sua empreitada – conferindo-lhe, basicamente, proteção, os atributos da força e coragem, vitórias e longevidade. Com a gradativa conversão ao cristianismo, vários narradores fizeram as suas adaptações e conferiram outra abordagem a muitos aspectos das velhas crenças pré-cristãs até então presentes nas histórias que contavam – transmudando a personagem em uma figura mais humana, complexa, ambígua e também mais sinistra em razão de sua origem pagã. 

Devo destacar que, se é certo que este prenome já me intrigava e despertava em outros tempos considerável carinho – envolvendo-me em sua sonoridade, especial magnetismo ou energia –, também é verdade que foi a partir da conhecida e influente obra As Brumas de Avalon que Morgana ganhou, finalmente, o meu coração. Dentre as várias personalidades femininas que compõem o ciclo – em geral, indispensáveis no sentido de ajudar a tecer os destinos dos reinos de toda a Britânia –, a Senhora de Avalon parece-me, sobretudo na mencionada versão de Marion Zimmer Bradley, inequivocamente, aquela mais cativante.

Embora, na generalidade das versões, Morgana – cuja figura, na tradição arturiana, pode assumir as formas de donzela, anciã, deusa, fada, sacerdotisa ou feiticeira maléfica – seja certamente uma anti-heroína, é esta complexidade que a torna uma individualidade deliciosamente rica e fascinante. Ao mesmo tempo em que auxilia Artur e empreende a sua desgraça, concorre para a ocorrência de intrigas e mortes e seja tratada como o bode expiatório de todo o mal que acomete Camelot, parece-me também uma mulher particularmente forte, justa, tolerante e fiel ao seu senso de honra. Pratica o auto-sacríficio, é irresignada à ordem estabelecida, em que pese as constantes perseguições. 

Como infelizmente (ou felizmente) não chega a surpreender, o nome desta trágica e distinta heroína está longe de ser dos mais tradicionais ou propriamente apreciados entre os brasileiros e, sobretudo, os portugueses. Pelo contrário, de modo geral, parece encontrar eco em preferências e estilos onomásticos pessoais específicos – o que, pelo seu consequente pouco uso, sem dúvida, confere ao nome originalidade e brilho suficientes. Uma pequena Morgana dificilmente passaria despercebida ou indiferente por onde passasse! Antes, desabrocharia!

Em Portugal, no ano de 2014, Morgana contou com 10 registros; 7, em 2013; apenas 1, em 2012, e 14 em 2011. No Brasil, em que pese a impossibilidade de se avaliar a incidência do seu uso, dada a ausência de dados registrais oficiais em cada um dos estados da federação, parece-me um nome, sem dúvida, invulgar, ainda que não desconhecido por muitos. Um possível caso à parte, contudo, quanto à popularidade de Morgana em terreno brasileiro, estaria no estado do Rio Grande do Sul, vez que, segundo a nossa querida participante Juliana Zalamena, este teria sido um nome especialmente comum à geração de mulheres gaúchas nascidas na década de 90. 

Facilmente identificado internacionalmente, o nome comporta, basicamente, sem a exclusão de outras, as seguintes variantes ou alternativas: 
Morgan (do galês, inicialmente um nome masculino, e atualmente de uso unissexo, em alguns países anglófonos); Muirghein (uso unissexo, irlandês); Morien (gênero masculino, galês); Morgane (gênero feminino, francês); Morgain/Morgaine (uso inicial, aparentemente, exclusivamente literário, representado pelos franceses); Morrígan/Morrighan (personagem lendária, irlandesa, sem indícios históricos de prévio uso por pessoas reais).

Morgana é, em suma, a meu ver, um belo nome por si só – poderoso em aspecto e pronúncia –, além de privilegiado pela carga de sua história reconhecida e (re)contada ao longo dos tempos, que nos traz uma personagem arquetípica, repleta de simbolismo, que exala força, perseverança, autoridade e empoderamento feminino e que, sobretudo, é profunda e complexamente humana. 

Ana Carolina Gomide Guimarães

E vocês, o que pensam deste nome? Dá-lo-iam a uma filha?