Diogo
é um nome interessantíssimo do ponto de vista da evolução linguística! Se eu
dissesse que Diogo é Yaakov, nome de origem hebraica e
bíblica, provavelmente tenderiam a achar que era erro e lançar-se-iam à procura
de uma fonte mais plausível.
Mas, na verdade, (e
reparem no processo) Yaakov
(hebraico) foi traduzido pelos gregos para a Bíblia como Iakobus, mais tarde traduzido para o Latim como Iacobus, que evoluiu para Jacob. Ora, Jacob em português chegou a ser traduzido como Iago, que posteriormente originou Diogo, Tiago e Santiago. E se em inglês Jacob originou James, está aqui a explicação para James poder ser traduzido para português como Diogo ou Tiago. Muito
estranho, certo? Mas é através da análise destes processos que constatamos que
a língua está em constante evolução e os nomes que hoje em dia utilizamos podem
ser irreconhecíveis num futuro bem distante! Dá que pensar!
Uma outra teoria
etimológica, bem mais simples, avança que Diogo
provém da forma latinizada de didacus,
palavra grega que está associada à doutrina e ao seu ensinamento, sendo,
portanto, Diogo aquele que faculta a
doutrina, aquele que ensina, o professor. E quem sabe não temos todos alguma
coisa a aprender com os Diogo?
Em Portugal, acho que
assim posso dizer, há um fascínio secular por este nome! Na Época dos nossos
Descobrimentos Marítimos, por volta dos séculos XV e XVI, se formos a analisar
quantas vezes encontramos Diogo como
nome de cartógrafo, explorador e navegador, ficaríamos impressionados! Alegadamente,
em 1427, Diogo Silves descobriu o
Arquipélago dos Açores; Diogo Gomes,
navegador próximo ao Infante D. Henrique, terá descoberto algumas das Ilhas de
Cabo Verde; e Diogo Cão que explorou
o Reino do Congo e o Rio Zaire. Foi também nome de um Infante de Portugal, neto
de D. Duarte I e nome de um regente
do Brasil Padre Diogo Feijó (século
XVIII). Mais recentemente, são referências o político português Diogo Freitas do Amaral, o ator Diogo Infante e o comediante Zé Diogo Quintela.
O nome perdeu a sua popularidade
tão notável após os Descobrimentos, tendo sido reavivado no início da década de
70 do século XX e, até ao presente, a sua popularidade tem vindo a crescer
substancialmente! Só em 2014, Diogo
foi registado 1129 vezes, encontrando-se na 13ª posição dos nomes masculinos
utilizados em Portugal. No Brasil, encontra-se na 81ª posição dos mais usados
em 2014! É inegável a sua popularidade nas nossas realidades!
Joana Recharte.
Retirando a lente da
popularidade, que acham de Diogo?
