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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Henriqueta


Voltemos a abrir o baú! Os nomes antigos são sem dúvida os meus favoritos, os que me cativam num abrir e piscar de olhos e os que me mantêm entusiasmada durante mais tempo. Curiosamente, os nomes modernos não têm o mesmo brilho para mim – mas ainda bem que somos todos diferentes!

Há algumas semanas atrás tive a oportunidade de viajar um bocadinho pelo norte de Portugal e conheci imensa gente nova. Sobretudo pessoas de mais idade e um nome que sempre vinha à conversa era Henriqueta! Uma verdadeira relíquia! Cada vez que o ouvia ficava a pensar como abraçava o fascínio antigo de outra época e como o deixámos cair em esquecimento ano após ano, ao ponto em que Henriqueta é pouco mais que uma memória.

Se recordarmos a publicação sobre os NomesAristocráticos do Século XIX, constatamos que este era um nome do top 30, comumente utilizado pelas classes altas em Portugal e surgem-nos nas bases de dado antigas compostos como Maria Henriqueta, Júlia Henriqueta ou Emília Henriqueta. Tudo uma delícia para quem gosta de compostos com uma pitada antiga e uma pitada moderna. Contudo, o nome tornou-se demasiado pesado e passou de uns poucos 60 registos em 1920 para 0 em 1980.

De igual modo, no Brasil, Henriqueta tem vindo a decair dramaticamente desde o início dos anos 30 e neste espaço de tempo compreendido entre 1930 e 2000, não foram registadas mais de duas mil mulheres com este nome – o que é muito pouco, dada a realidade populacional do Brasil.

Mas a realidade portuguesa atual continua a não ser simpática: dois registos como primeiro nome em 2014, um registo em 2015 e nenhum no ano passado. O mesmo se verifica na realidade atual brasileira onde não existe nenhum registo nos últimos dois anos no Estado de São Paulo.

Henriqueta é um nome do passado. Pode não ter grande beleza para muitos e pode ser extremamente ultrapassado para outros. Sendo honesta, não lhe confiro suficiente estatuto clássico para o utilizar e sei que perde muitos pontos ao lado do seu masculino, o eternamente clássico Henrique. Significa governante da casa, é de origem germânica. Embora não tenha sido utilizado pela monarquia portuguesa ou brasileira, era relativamente usado pela inglesa e francesa.

Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, O Blog dos Nomes, SPIE.