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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Águeda


De tempos a tempos, cintilam nomes diferentes na minha lista pessoal. Um desses nomes, bonitos e singelos, que vulgarmente ninguém fala e poucos sabem que existem, é Águeda. Um nome vibrante e roliço que marca a sua presença pela sonoridade do “gue”, num conjunto de letras que sonoramente parecem fluidas como a água.

Mas por poucos o conhecerem não quer dizer que não exista. Pois existe e o IRN assume-o, disponibilizando-o para uso entre os portugueses. E eu acho-o uma boa alternativa. Alternativa a quê? Alternativa a Ágata, pois claro. Águeda é nada mais, nada menos, que a derivação ibérica de Ágata, nome grego que significa bondosa! Acho este significado maravilhoso e a bondade pontua tão alto nos meus valores pessoais que acho que é exatamente isto que me faz gostar muito destes nomes.

Águeda, por comparação, parece-me muito mais mansinho e delicado. Tem um ar medieval e pitoresco, como se de uma Dulcineia se tratasse. Na verdade, consigo imaginar uma Águeda a ser a eterna enamorada de um cavaleiro medieval e a ela serem dedicados poemas e trovas de amor. É um nome que tem uma boa dose de romantismo!

Mesmo no século XIX, tenho a certeza que Águeda era um nome equiparável a Áurea, igualmente antigo mas recentemente recuperado em Portugal! Entre 1920 e 1960 andou sempre nuns constantes 15 registos anuais, tendo decrescido a partir de então. Nos últimos anos nasceu apenas uma menina com este nome em 2015. No Brasil não se encontram registos de Águeda nos últimos dois anos, e, mesmo antes (entre 1930 e 2000), os registos existentes não ultrapassam um total de 843.

Em Portugal é também nome de um rio e de um município, fator que pode fazer com que muitas pessoas desistam do nome. Para mim é só mais uma curiosidade, e dado que o Rio foi nomeado no passado Séc. IX, só cria mais ambiente em torno do nome. Acho-o diferente e, até certo ponto vanguardista, no mesmo lote de nomes em que também coloco Sancha. Na verdade, acho que têm os dois a mesma energia para mim: nomes ibéricos, antigos e românticos que usados numa menina nascida hoje fazem um brilharete!

Fontes Consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN e SPIE