Quando falámos sobre Tomás apresentámos suavemente Tomé
porque, na verdade, Tomás e Tomé são exatamente o mesmo nome, pois
ambos têm origem na mesma palavra aramaica – Ta’oma’, que significa gémeo.
Mas se assim é, como é que temos à nossa disposição duas variantes do mesmo
nome?
Tomás
chegou até nós pela via mais erudita, pela via da cultura e da literacia,
enquanto Tomé era a variante popular
deste nome, aquela que o povo mais conhecia (estava presente na Bíblia). E talvez por este motivo, Tomás sempre foi mais associado às
classes altas, o que atualmente já não corresponde à verdade.
A tradução portuguesa da Bíblia indica o nome do apóstolo de Jesus como Tomé mas muitas questões se elevam em torno desta figura e desta
tradução, sendo que Tomé não era um
nome próprio na época, mas apenas um epíteto que significava o gémeo. Em alguns trechos da Bíblia, Tomé aparece como segundo nome de Judas, referindo-se provavelmente a São
Judas Tadeu, embora as traduções atuais da Bíblia se refiram a eles como
duas pessoas distintas. Mas, de qualquer das formas a questão mantém-se: Tomé, ou Judas Tomé, gémeo de quem? Alguns estudiosos sugerem que esta
figura possa ter sido irmão (gémeo) do próprio Jesus Cristo, o que é extremamente polémico. De qualquer das maneiras,
o que é realmente consensual acerca de São Tomé
chegou até nós através do Evangelho de São João,
onde Tomé se mostra incrédulo com a
ressuscitação de Cristo, daí se ter popularizado a expressão: ver para crer!
O nome em si tem mantido um percurso mais ou
menos estável nas últimas décadas, rondando os 15 registos anuais durante todo
o século XX, até que a sobrepopularização de Tomás desencadeou uma procura ativa de alternativas semelhantes,
daí que, nos últimos anos, Tomé
exceda o número habitual registos! Em 2013 foram registados 58 meninos assim
chamados e em 2014, 57, juntamente com um total de vinte e cinco compostos.
Destes compostos registados em Portugal, em 2014, gosto particularmente de Tomé Filipe, Pedro Tomé, Valentim Tomé e Tomé Lourenço.
Tomé é
um nome modesto e discreto no panorama português que combina muito bem com
nomes mais clássicos ou que estão na ribalta, dando-lhes um toque de
espontaneidade e originalidade que hoje em dia se precisa! Para mim, é um nome
com uma sonoridade muito demarcada, forte, mas ao mesmo tempo é capaz de ser
dono de uma delicadeza extraordinária. É um nome bíblico e é extremamente
bonito. A pecar, peca pela pouca internacionalização.
Joana
Recharte.
Na vossa opinião, Tomé tenderá a popularizar-se mais nos próximos anos?