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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Elisa/Eliza - Atendendo a Pedidos


Suave, discreto e sensível, assim é Elisa. Transitando entre os nomes com aura vintage, muito em voga atualmente, tem como opção a grafia Eliza, mais comum em países de língua inglesa. Elisa e Eliza surgiram como diminutivos de Elisabeth e Elizabeth, mas construíram trajetórias consistentes como nomes independentes, marcando assim sua importância no mundo da onomástica. Apresentado destaque em popularidade no Brasil, é uma  opção muito interessante também para Portugal.

Como já mencionado, Elisa e Eliza originalmente são nomes diminutivos e surgiram como formas curtas de Elisabeth (grafia usada por alemães, italianos, espanhóis e portugueses) e Elizabeth (inglês), respectivamente. Elisabeth é também uma forma variante em inglês (mas é menos frequente) e reflete a grafia usada no Novo Testamento (na Bíblia em português Elisabeth e Elizabeth são versionados como Isabel). Todos esses nomes têm origem em Eλισαβετ (Elisabet) , a forma grega do nome hebraico אֱלִישֶׁבַע (Elisheva) que significa Deus é meu juramento, ou ainda meu Deus é abundância. Muitos nomes estão relacionados com Elisabeth/Elizabeth, como Ella, Elsa, Betina, Lis, Eliseba, entre outros.

Atualmente, tanto Elisa quanto Eliza tem tido destaque em rankings de diversos países e essas são suas posições mais recentes:
Elisa - Itália (#23); Suíça (#34); Áustria (#39); Bélgica (#40); França (#51); México(#52)
Eliza - Inglaterra e País de Gales (#47); Austrália (#83); Hungria (#81)

Algumas figuras históricas e personagens literários ajudaram a popularizar Elisa Eliza através dos tempos, como a princesa francesa Elisa Bonaparte, irmã de Napoleão Bonaparte e Eliza Doolittle, a personagem vivida pela diva Audrey Hepburn no clássico do cinema mundial My Fair Lady (1964), baseado na peça teatral Pigmaleão (1913), de George Bernard Shaw. My Fair Lady conta a história de Eliza Doolittle, uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres. Em uma dessas noites, Eliza conhece o culto professor Henry Higgins, que aposta com um amigo que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores em uma dama da sociedade. Lembraram de alguma coisa? Sim, é daí que vem o enredo da novela de grande sucesso no Brasil Totalmente Demais. A protagonista, vivida por Marina Ruy Barbosa, só poderia ter um nome: Eliza, claro!

Os nomes Elisa e Eliza também têm como destaque a importante escritora polonesa Eliza Orzeszkowa, indicada ao prêmio Nobel de Literatura em 1905; ainda área literária encontramos a escritora Elisa Lispector, irmã de Clarice Lispector. No cinema, o filme Elisa, Vida Minha (1977), considerado uma obra-prima do diretor espanhol Carlos Saura, narra a delicada e emocionante convivência da personagem Elisa Santamaria (interpretada por Geraldine Chaplin) e seu pai.

Um fato que dá um charme todo especial é a presença na mitologia: Dido também conhecida como Elisa, é a fundadora e primeira rainha de Cartago, hoje Tunísia. A personagem foi incluída na obra Eneida pelo poeta Virgílio.

A trajetória no Brasil tanto de Elisa quanto de Eliza, demonstra muita estabilidade. Sempre foram nomes usados ao longo das décadas com constância e moderadação, sem grandes altos e baixos, o que os classifica como nomes clássicos. O uso de Eliza é um pouco menor que o de Elisa, mas os valores são próximos. De acordo com dados do IBGE estima-se que existam 54 697 brasileiras chamadas Elisa; para Eliza o número é de 33 639. Anteriormente à década de 1930 e até 1990, os valores de registros para Elisa ficaram entre 2 218 até 8 865; nos anos 2000 atinge seu ponto máximo: 9 842 registros. Sua maior concentração de portadoras ocorre nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.

A grafia Eliza  tem os seguintes números: antes de 1930 até 1990 seus registros oscilaram entre 1 744 a 4 684. Assim como Elisa, sua maior popularidade também acontece nos anos 2000: 5 561 na atual década. Suas portadoras são encontradas, em sua maioria, nos estados de Mato Grosso do Sul, Roraima, Espírito Santo, Amazonas e Mato Grosso. Podemos concluir que Elisa é grafia mais usual no sul e no sudeste e Eliza no centro-oeste e norte. A grafia Elisa ocupa a posição #53 do ranking atual do site Baby Center Brasil; no estado de São Paulo, em 2015, Elisa obteve 590 registros e Eliza conseguiu 193.

Em Portugal, de acordo com dados do SPIE, Elisa teve grande destaque entre 1920 até meados dos anos 70, quando seus registros ficavam entre 118 a 206, números muito expressivos. A partir de 1978 já não ultrapassava os 100 registros; em 1980 a queda foi grande: apenas 39 registros. Essa realidade permanece até hoje: em 2015 Elisa foi registrado 26 vezes e 31 vezes em 2014. A grafia Eliza é menos usual, diria até rara: de 1920 a 1947 conseguiu apenas de 2 a 4 registros; de 1948 até 1980 não foi registrada nenhuma vez. Em 2014 foi registrada 3 vezes e em 2015  obteve 5 registros. Para aqueles que gostam de compostos, separei alguns de registros muito antigos de Portugal (entre as décadas de 1800 a 1900) que encontrei no site Associação Amigos da Torre do Tombo: Elisa Amélia, Elisa Carolina, Elisa Cecília, Elisa Florença e Eliza Guilhermina.

Referências:
  • Elisa Lisboa - atriz portuguesa;
  • Elisa Lucinda - atriz, cantora e poetisa brasileira;
  • Elisa Ferreira - economista e política portuguesa;
  • Eliza Bennett - atriz inglesa;
  • Eliza Taylor-Cotter - atriz australiana

Apesar de terem se originado como formas reduzidas de outros nomes, Elisa Eliza conquistaram sua luz própria. Clássicos com ares contemporâneos, são nomes elegantes que se enquadram nas tendências em alta entre brasileiros e portugueses, afinal Elisa e Eliza não estão distantes de nomes que estão nos nossos tops como Alice, Sofia, Júlia, Laura, Luiza (Brasil) e Clara, Ema, Eva, Laura, Olívia (Portugal). Com equilíbrio entre antigo e atual, Elisa e Eliza são lindas opções para as meninas dos dias de hoje!

Gostam de Elisa & Eliza? Qual a sua grafia favorita?


Fontes Consultadas:
Adoro Cinema, ARPEN, Associação Amigos da Torre do Tombo, Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE, Wikipédia.