sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Aldara


Um nome medieval que encheu os palácios, as aldeias e as casas das famílias portuguesas num passado muito distante! Apesar de o achar elegante e misterioso num sentido muito apelativo, a verdade é que Aldara perdeu-se nos caminhos sinuosos do tempo.

As fontes que consultámos indicam-nos que este é um nome cuja prevalência se centra sobretudo no território galego, onde, também em termos históricos, Portugal se foi construindo. A estrita ligação entre a Galiza e Portugal pode justificar o uso comum de determinados nomes no passado, entre eles, Aldara. De acordo com fontes científicas que se debruçam sobre a genealogia das primeiras famílias aristocráticas do Norte de Portugal (Pizarro, 1997) é possível encontrar inúmeras mulheres com este nome ligadas à nossa história. É um nome que andava de mãos dadas a outros como Fernão, Lopo, Mor e Sancha, só para mencionar alguns dos mais “tipicamente medievais”.

O que é certo é que à medida que os anos foram avançando, Aldara foi ficando para trás e sabe-se hoje que entre 1920 e 1980 (em Portugal) nasceram apenas 9 meninas com este nome, todas antes de 1940. Os dados da década de 90 são-nos desconhecidos, mas sabe-se que em 2014 foi registada uma pequena Aldara Lucia e em 2015 foram registadas duas meninas com este primeiro nome também. Em 2016 não houve nenhum registo. Por sua vez, no Brasil, o nome também é praticamente inexistente: estima-se que existam apenas 58 pessoas com este nome, não existindo nenhum registo do nome em 2015 (São Paulo).

Já na Galiza, os dados do seu Instituto de Estatística, dizem-nos que existem atualmente cerca de 700 pessoas com este nome, e outras 30 com a variante antiga: Ilduara. Mais, em 2013, Aldara era o 50º nome feminino mais utilizado na Galiza, o que é um dado muito interessante, que nos diz que a Norte de Portugal ainda não se desistiu de um nome tão bonito!

O nome parece ter origem germânica, aglomerando os elementos hild (batalha) e wars (sábia, prudente), querendo, portanto, Aldara dizer aquela que é prudente na batalha, aquela que é sábia na batalha. Terá chegado a território galego através dos visigodos.

Acredito que Aldara é um nome bonito, ponderado e uma escolha original para os nossos dias. A terminação não é incomum para os nossos países e a sonoridade tem a graça de soar a algo misterioso e exótico. Pessoalmente acho bonito, que acham?


Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, Naidea Nunes (1996) Antroponímia Primitiva da Madeira (séculos XV e XVI), Instutuo Nacional de Estatística (Galiza), José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (1997) Linhagens Medievais Portuguesas e SPIE.

6 comentários:

  1. Tem uma imponência interessante mas prefiro apenas Dara.

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  2. Confesso que tem um tempão que li esse post (mais de uma vez) e fiquei com ele na cabeça. Impactou, nem consegui escrever na hora... Só sentindo a beleza do nome... Nunca tinha me deparado com ele antes. Acho até que nem consegui elaborar tudo ainda... Concordo com a imponência como diz a colega Patrícia Monteiro. Me cativou completamente e isso só afirma que os nomes medievais meio que me hipinotizam! Será que tem cura?!

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  3. Aldara Eugenia Pilar21 de abril de 2017 às 06:37

    Minha avó materna chamava-se Aldara e a paterna, Eugenia Beatriz, ambas portuguesas Meus pais,também nascidos em Portugal, em homenagem às duas, me presentearam com o nome Aldara Eugenia. Sou brasileira. Sempre gostei muito do meu nome. Muitas pessoas, ao escreve-lo, trocam o "l" pelo "u". Então ao falar meu nome passei a avisar quanto ao "l". A pronuncia de meu nome por um português torna-o ainda mais bonito. Gostei de ler este texto.

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