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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Adélia


Nos primórdios do Blog dos Nomes fizemos uma publicação alargada sobre Adelaide, onde apresentávamos as muitas variantes do nome e destacámos algumas variantes que poderiam ser mais interessantes para os nossos dias. Uma dessas variantes era a bonita Adélia.

Tem um ar muito vintage, muito antigo mas cheio de doçura. Lembra o cada vez mais popular Amélia, e em termos de estilo assemelha-se a outros nomes usados no passado como Amália, Bela, Graça ou Rosa. Tem um arzinho charmoso, muito anos 20 e nesta ótica considero-o um par muito giro com, por exemplo, Isadora (que me transmite precisamente as mesmas sensações). A memória mais interessante de uma Adélia é a da personagem de Eça de Queirós no livro A Relíquia – pessoalmente acho muita graça à obra dele, ao humor perspicaz, sagaz, feroz, até certo ponto, por isso, Eça será sempre uma boa referência para mim. Na história, que se situa no final do século XIX, Adélia era o nome de uma moça muito formosa que seria amante da personagem principal. Recomendo a leitura, a quem estiver interessado.

Conforme já foi dito, os dados do IBGE (Brasil) dizem-nos que Adélia foi um nome mais utilizado no início do século XX, em particular nas décadas de 40 e 50, tendo vindo a desaparecer desde então. Estimam-se que existam cerca de 30 mil pessoas com este nome nascidas entre 1930 e 2000 em todo o território brasileiro. Recentemente, Adélia foi registado apenas 3 vezes no Estado de São Paulo (2015), juntamente com o composto Maria Adélia.

Em Portugal, o nome manteve-se estável entre 1920 e meados da década de 70, momento a partir do qual desce dos 100 registos anuais até à atualidade. Por um lado, sabemos assim que Adélia é um nome que não se encontra associado a nenhuma geração específica (o que é fantástico), por outro, sabemos que pode ser considerado antigo pela maior parte das famílias, o que não deveria ser um impedimento para o seu uso. Confesso que adoro a ideia de uma Adélia pequenina, muito catita, com a força da mocidade e um nome bem diferente e amoroso! Sabemos que foram registadas 2 em 2013, 2 em 2014 (e os compostos Adélia Luana e Maria Adélia) e 3 em 2015.

Por ser uma parente de Adelaide, Adélia significa nobre e é, nada mais, nada menos, que uma versão ornamentada do internacional Adele. Acho que tem potencial! Concordam?


Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, O Blog dos Nomes (Adelaide), SPIE.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ada, Adélia & Adelaide


Adelaide advém do germânico adalhaid, de adal (nobre) e heit (linhagem), ou seja, significa “a de linhagem nobre”. O nome difundiu-se com Santa Adelaide, mulher do Imperador Oto, o Grande, no século X, que viria a tornar-se Imperatriz da Alemanha. Nove séculos mais tarde, o nome tornou-se bastante comum em Inglaterra depois do casamento do Rei Guilherme IV com a alemã Rainha Adelaide, que inspirou o nome da cidade Australiana. Em Portugal, o nome sempre se foi ouvindo mas nunca disfrutou de grande popularidade. Como referência temos a querida infanta Dª Maria Adelaide de Bragança, neta de D. Miguel II, e a cantora e atriz Adelaide Ferreira.

No abrir do século XX, Adelaide era um dos nomes mais imponentes de entre as listas de favoritos dos portugueses e isso refletia-se perfeitamente no número de registos que rondou uma média de 250/300 registos anuais o que corresponderia ao atual uso de Ema ou Ariana, em Portugal! No entanto, com a saída da década de 30, Adelaide começou, aos poucos, a perdeu o brilho, sendo que perto da década de 80 era já considerado um nome fora de moda. Hoje em dia, dado o seu grande uso no passado e o envelhecimento natural das suas portadoras, Adelaide é visto como um nome pouco usável ou muito pesado para uma criança. Mas, como tudo, acredito que estas modas são cíclicas, e que Adelaide, mais tarde ou mais cedo, tornará a brilhar para nós!

Adelaide é um nome com imensas variações, muitas delas conhecidas pela maioria das pessoas, mas nem todas admitidas em Portugal: Ada, Adela, Adele, Adélia, Adelina, Alice, Alícia, Alina, Alisa, Alison, Alli e Heidi.

Escusado será dizer que Alice e Alícia são as variantes mais utilizadas deste nome tanto em Portugal como no Brasil, no entanto, vou salientar duas variantes que me parecem muito interessantes:

1. Adélia, que significa nobre e foi inicialmente usado como diminutivo de Adelaide até ter ganho reconhecimento de nome próprio. Parece-me uma alternativa bastante harmoniosa para aqueles que apreciam Adelaide mas consideram-no muito pesado ou démodé. Adélia é uma forma ornamentada de Adele, nome da tão conhecida cantora britânica. É um nome simpático e tem um estilo vintage que me chama à atenção. Não é assim tão diferente de Amélia, nome bastante apreciado no universo luso-brasileiro e tem a vantagem de ser muito menos popular.

2. Ada, que provém do hebraico Adah e traduz as ideias de ornamento e beleza, mas também está associado a um diminutivo bem amoroso de Adelaide, Adélia ou até Adalgisa. Tem uma sonoridade bastante agradável e moderno, podendo ser facilmente classificado como um nome internacional.

Em 2014, em Portugal foram registadas 9 meninas chamadas Adelaide, 4 Adélia e 6 Ada (todos estes números incluem também a frequência do nome usado em compostos). Nenhum destes nomes consta no ranking de nomes mais utilizados em São Paulo, no mesmo ano. Em 2015, tanto em Portugal como em São Paulo foram registadas 3 meninas chamadas Adelaide.

Joana Recharte.

Digam de vossa justiça: qual dos nomes mais vos cativa?

Fontes consultadas:
Behind the Name, NameBerry, IRN, ARPEN/SP, SPIE.