Mais um nome masculino que pode ser
retirado das nossas gavetas. Já não nos encontramos nos tempos áureos de Emídio, as famílias portuguesas e
brasileiras têm insistentemente procurado outras opções de nomes que não
tiveram períodos de popularidade há 40/50 anos atrás. É a evolução, dirão. São
ciclos. Durante muitos anos, por exemplo, os únicos Vicentes que conhecíamos em Portugal e no Brasil eram todos velhotes
ou então adultos já muito bem formados; hoje em dia, existem imensos pequenitos
com este nome, algo que seria impensável há cerca de 10/15 anos atrás. E é
muito este fenómeno cíclico mas pouco previsível que me fascina no uso dos
nomes. Nada nos garante que dentro de duas ou três décadas nomes como Avelino ou Emídio apareçam nos nossos tops nacionais!
Com efeito, Emídio foi um nome muito utilizado no passado, encontrando-se centenas
de homens com este nome em bases de dados antigas como as da Associação de Amigos da Torre do Tombo,
em Portugal. Sabe-se também que entre 1920 e 1980 o número de Emídios a serem registados por ano em Portugal
foi constante, mantendo-se sempre assim dos 30 registos anuais até à década de
70, em que entrou em queda até os nossos dias. Chegou, inclusive, a atingir 90
registos no ano de 1947, o que corresponderia ao uso atual de nomes como Davi, Jorge, Kevin ou Sebastião.
Ainda assim, apesar de ser raro, o nome
continua a ser utilizado tendo sido registados em 2013 dois pequenos Emídios em Portugal, juntamente com os
compostos Emídio Mateus e Manuel Emídio. No ano
seguinte, foi registado um Emídio Fernando e em 2015 não houve nenhum
registo conhecido. No entanto, do outro lado do Atlântico, em São Paulo, foi
registado em 2015 um pequeno Emídio
e os compostos Davi Emídio (2), Emídio Bernardo e Nícolas Emídio.
No que concerne a origem do nome, a maior
parte das fontes tem dificuldade em atribuir uma explicação, sendo que
concordam que chegou a nós a partir do latim Emygdius. O Behind the Name
propõe que este nome se terá originado a partir de um nome gaulês, cujo
significado é desconhecido atualmente. Já Ana Belo (1997) diz-nos que existirá
uma forte probabilidade de Emygdius
ser uma tradução latina da palavra grega amygdale,
que significa amêndoa. Esta palavra grega hoje em dia está presente no nosso
vocabulário como amígdala, o nome dado a várias estruturas corporais e também
a duas estruturas cerebrais muito importantes para a regulação do afeto e das
emoções.
Resumindo e concluindo, acredito que Emídio é um nome muito interessante e
meigo. É muito parecido a um favorito meu, Emílio,
o que o faz ganhar pontos na minha perspetiva e é também internacional. Consigo
imaginá-lo a ser dito com um ar italiano muito atrativo e, talvez por isso (a
mente dá muitas voltas), acredito que tem um certo ar romântico.
Já pararam para pensar em Emídio?
Fontes
Consultadas:
Ana
Belo (1997) Mil e tal nomes próprios, ARPEN/SP, AATT, Behind the Name, IRN, Nomes e
Mais Nomes e SPIE.
