O tempo às vezes esconde nomes. E é curioso
como às vezes os esconde atrás das rugas das suas portadoras. Os nomes antigos
têm muito que se lhe diga, na minha opinião, mas também sou suspeita. Adoro-os
de coração, todos os nomes ficam com mais brilho quando lhes descubro história
e tradição.
Edite/Edith é um desses nomes que ficou para
trás no tempo. Outrora muito utilizado, cada vez menos famílias olham para ele
como nome de criança e isso reflete-se muito nitidamente nos registos anuais,
quer em Portugal, quer no Brasil.
Consultando as bases de dados da SPIE,
referente à utilização dos nomes próprios em Portugal entre 1920 e 1980,
sabemos que Edith era uma grafia utilizada
no início do século passado que veio a desaparecer em meados dos anos 30. Curioso
que hoje em dia Edith até poderia
ser considerado mais moderno que Edite,
uma vez que é a grafia mais internacional. Ainda assim, paralelamente, Edite era bastante mais utilizado pela
população portuguesa, rondando os 30 registos anuais nos anos 30, que foram
crescendo década após década, até que Edite
atinge os 100 registos anuais entre 1960 e 1970. A partir de então, o nome
começa a decair até hoje, onde em 2013 se registaram apenas 3 (2 na grafia
internacional) e em 2014 também 3 (1 na grafia internacional). Em 2014 foram
ainda registados os compostos Edite
Isabel, Edite Maria e Maria Edith. Nos últimos dois anos não houve um único registo.
No Brasil estima-se que entre 1930 e 2000
tenham sido registadas mais de 50 mil pessoas com a grafia Edite (sobretudo nas
décadas de 40 e 50) e 8 mil pessoas com a grafia Edith (sobretudo na década
30). O que é certo é que depois das datas expostas, tal como acontecem em
Portugal Edite/Edith começou a cair a pique, estando longe de entrar num possível
top 100 brasileiro. Na verdade, em São Paulo (2015) foram registas 2 Edites e 5 Ediths, havendo registos de compostos como Angelina Edite, Edite
Beatriz, Edith Guadalupe, Edith Sara, Edite Vitória ou Milena
Edith.
Mas qual é a origem de Edite/Edith? Segundo o NameBerry, este é um dos grandes
sobreviventes da tradição onomástica anglo-saxónica. Vem, portanto, do inglês
antigo Eadgyð, que combina os
elementos ead que significa fortuna, prosperidade e gyð que
significa batalha ou guerra. Assim, um significado aproximado
seria aquela que é próspera na guerra ou
aquela que é afortunada na batalha.
Existem várias mulheres históricas com este
nome, desde logo a filho do Rei Edgar,
o Pacífico (Saxões) e a musa da música francesa, Edith Piaf! Edith era
também o nome da mãe de Anne Frank, da segunda mulher do Presidente
Roosevelt e mais recentemente, o nome da personagem do sucesso cinematográfico,
Downton Abbey. Em Portugal temos a professora
e política portuguesa, Edite Estrela.
Acredito que Edite/Edith tem um
arzinho vintage inspirador, que o
coloca ao lado de nomes como Amélia,
Graça, Irene ou até mesmo Luzia! No fundo, este é um nome para o qual pouco se tem olhado,
mas não é para descartar logo à primeira sem se atentar a ele! Mas digam de
vossa justiça, que acham de Edite/Edith, e qual a grafia que acham mais
adequada?
Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE.
