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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Edite/Edith


O tempo às vezes esconde nomes. E é curioso como às vezes os esconde atrás das rugas das suas portadoras. Os nomes antigos têm muito que se lhe diga, na minha opinião, mas também sou suspeita. Adoro-os de coração, todos os nomes ficam com mais brilho quando lhes descubro história e tradição.

Edite/Edith é um desses nomes que ficou para trás no tempo. Outrora muito utilizado, cada vez menos famílias olham para ele como nome de criança e isso reflete-se muito nitidamente nos registos anuais, quer em Portugal, quer no Brasil.

Consultando as bases de dados da SPIE, referente à utilização dos nomes próprios em Portugal entre 1920 e 1980, sabemos que Edith era uma grafia utilizada no início do século passado que veio a desaparecer em meados dos anos 30. Curioso que hoje em dia Edith até poderia ser considerado mais moderno que Edite, uma vez que é a grafia mais internacional. Ainda assim, paralelamente, Edite era bastante mais utilizado pela população portuguesa, rondando os 30 registos anuais nos anos 30, que foram crescendo década após década, até que Edite atinge os 100 registos anuais entre 1960 e 1970. A partir de então, o nome começa a decair até hoje, onde em 2013 se registaram apenas 3 (2 na grafia internacional) e em 2014 também 3 (1 na grafia internacional). Em 2014 foram ainda registados os compostos Edite Isabel, Edite Maria e Maria Edith. Nos últimos dois anos não houve um único registo.

No Brasil estima-se que entre 1930 e 2000 tenham sido registadas mais de 50 mil pessoas com a grafia Edite (sobretudo nas décadas de 40 e 50) e 8 mil pessoas com a grafia Edith (sobretudo na década 30). O que é certo é que depois das datas expostas, tal como acontecem em Portugal Edite/Edith começou a cair a pique, estando longe de entrar num possível top 100 brasileiro. Na verdade, em São Paulo (2015) foram registas 2 Edites e 5 Ediths, havendo registos de compostos como Angelina Edite, Edite Beatriz, Edith Guadalupe, Edith Sara, Edite Vitória ou Milena Edith.

Mas qual é a origem de Edite/Edith? Segundo o NameBerry, este é um dos grandes sobreviventes da tradição onomástica anglo-saxónica. Vem, portanto, do inglês antigo Eadgyð, que combina os elementos ead que significa fortuna, prosperidade e gyð que significa batalha ou guerra. Assim, um significado aproximado seria aquela que é próspera na guerra ou aquela que é afortunada na batalha.

Existem várias mulheres históricas com este nome, desde logo a filho do Rei Edgar, o Pacífico (Saxões) e a musa da música francesa, Edith Piaf! Edith era também o nome da mãe de Anne Frank, da segunda mulher do Presidente Roosevelt e mais recentemente, o nome da personagem do sucesso cinematográfico, Downton Abbey. Em Portugal temos a professora e política portuguesa, Edite Estrela.

Acredito que Edite/Edith tem um arzinho vintage inspirador, que o coloca ao lado de nomes como Amélia, Graça, Irene ou até mesmo Luzia! No fundo, este é um nome para o qual pouco se tem olhado, mas não é para descartar logo à primeira sem se atentar a ele! Mas digam de vossa justiça, que acham de Edite/Edith, e qual a grafia que acham mais adequada?


Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, SPIE.