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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Cândida


Da palavra em latim candidus, que tem como significado branco, brilhante, e que, por extensão, também pode adquirir o sentido de pura, ingénua, inocente, chega-nos o nome feminino Cândida, que encaixo automaticamente na categoria "nome medieval" e que sempre representou para mim um pequeno grande tesouro! A sonoridade romântica e distinta deste nome faz-me vê-lo como uma fonte de ternura e ao mesmo tempo de pujança. Classifico-o mentalmente como um meio termo entre Camila e Caetana, um mais delicado, o outro mais imponente. Dada a crescente popularidade destes dois nomes, acredito que Cândida poderia ser novamente descoberto e valorizado como acho que merece!

Por nunca ter sido extremamente popular em nenhuma época específica e, consequentemente, por nunca ter marcado nenhuma década em particular, podemos afirmar que Cândida não é, de todo, um nome datado. Tal como disse logo ao início, associo-o muito à Era Medieval, ainda que meramente por intuição - e quem me conhece bem sabe que adoro esta característica nos nomes!

Segundo a fonte portuguesa SPIE, vemos que entre os anos de 1920 e 1980 o uso deste nome foi praticamente constante em Portugal, com uma média de 123 nascimentos nesses 60 anos. Em 1924 foi registado o valor máximo (178 registos) e em 1980 o valor mínimo (36 registos). Consultando os Registos Paroquiais da AATT encontramos compostos interessantíssimos que remontam ao século XIX, uns claramente antigos (como Cândida Joaquina, Cândida Augusta e Antónia Cândida) e outros que bem poderiam ser dos nossos dias (Francisca Cândida, Júlia Cândida e Cândida Rosa, por exemplo). 

No Brasil, de acordo com o IBGE, o percurso deste nome foi inicialmente ascendente. Em 1930 foram registadas 2141 meninas chamadas Cândida e durante 20 anos o valor foi aumentando, tendo atingido os 3175 registos em 1950. A partir de então os valores diminuiram tão depressa como subiram, e em 2000 já se encontravam cá em baixo, com 311 registos.

Atualmente nascem pouquíssimas meninas com este nome, tanto em Portugal e no Brasil como lá fora, noutros países, o que é uma excelente notícia para quem procura nomes raros mas ainda assim perfeitamente (re)conhecidos. Em 2014 foram registadas duas meninas portuguesas com este nome: uma Cândida e uma Maria Cândida (pessoalmente prefiro o composto Cândida Maria, por me parecer mais leve).

Resta-me dizer que gosto mesmo de Cândida e acho-o super usável nos nossos dias. Assemelha-se muito aos populares Camila, Caetana e Catarina e ao mesmo tempo mantém-se único e especial - e nem a associação à doença, que me parece muito redutora e um pouco injusta, me abala o sentimento que tenho pelo nome. Eu associo-o antes ao Verão e aos campos cheios de flores! 

Dariam uma oportunidade a este nome feminino?


Fontes consultadas:
Arpen SP, Behind The Name, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Listas Completas de Nomes Registados em Portugal (2012, 2013, 2014 e 2015), Nomes e mais Nomes, NomixRegistos Paroquiais da AATT, SPIE.