quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Jéssica


O outrora profundamente popular Jéssica está agora a caminhar de mansinho para longe dos nossos tops femininos. Mas Jéssica é um nome muito curioso, pode ser considerado um nome literário!

A primeira vez que Jéssica foi utilizado como nome próprio foi na peça O Mercador de Veneza (1596) de Shakespeare. Acredita-se que o dramaturgo inglês se tenha inspirado no nome bíblico Iscah que, à sua altura, teria uma pronúncia muito parecida com Jescha (de acordo com o Behind the Name). Por sua vez, Iscah, de origem hebraica, é mencionado brevemente no Antigo Testamento, sendo atribuído a uma sobrinha de Abraão. Acredita-se que signifique contemplar.

No entanto, apesar de ter sido utilizado pela primeira vez no século XVI, só em meados do século XX é que começou a ser largamente usado pela população, o que faz com que seja altamente improvável que uma sua antepassada distante se chame Jéssica. O site Nameberry diz-nos que foi especialmente popular nos Estados Unidos da América entre 1980 e 1990, sendo hoje em dia considerado fora de moda.

Em Portugal, os primeiros registos (tímidos) do nome deram-se a partir de 1970, tendo crescido substancialmente durante a década de 90, onde se popularizou, mantendo-se entre as escolhas das famílias até aos nossos dias, ainda que haja uma tendência para a diminuição do seu uso. Se Jéssica for deixando de ser utilizado, conforme se especula, tornar-se-á, dentro de poucos anos, um nome datado e será, então, considerado ultrapassado para muitas pessoas, como hoje em dia olhamos para nomes como Carla, Sandra ou Tânia (muito utilizados na década de 70 e 80). Mas, por enquanto, Jéssica continua a ser opção: 176 registos em 2013, 147 em 2014 e 122 em 2015. Os compostos mais usados em 2014 foram Jéssica Alexandra e Jéssica Filipa.

No Brasil, a grande popularidade do nome também se centrou na década de 90, sendo praticamente inexistente antes de 1980. Estima-se que tenham nascido cerca de 450 mil Jéssicas no Brasil entre 1930 e 2010! Ainda assim, em 2015, no Estado de São Paulo foram registadas 103 meninas com este nome (com acento) e 85 sem acento, o que significa que Jéssica continua a ser uma opção viável para muitas famílias. Os compostos mais utilizados foram Jéssica Vitória, Jéssica Aparecida, Jéssica Sophia e Jéssica Regina.

Em termos de estilo, Jéssica apresenta muitas semelhanças a Vanessa, por exemplo. São ambos nomes com origem literária e bem internacionais, encontrando-se em várias mulheres espalhadas por este mundo fora. As referências mundiais são incontáveis, mas só para citar algumas temos as atrizes Jessica Alba, Jessica Biel e Sarah Jessica Parker e as cantoras Jessica Simpson e Jessica Sanchez. Em Portugal dá-se destaque à atriz Jéssica Athayde e no Brasil à empresária e autora Jéssica Grecco.


Fontes consultadas:
ARPEN/SP, Behind the Name, IBGE, IRN, Nameberry, O Blog dos Nomes, SPIE.

19 comentários:

  1. Nunca gostei. Para mim é tipo Vanessa, são internacionais mas tem um ar parolo, e acho a sonoridade grosseira.

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    1. Sonoridade grosseira é se chamar Cláudia, muito brega e antigo.

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    2. Não gosto de Cláudia passa a impressão de nome barato comum e brega.

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    3. Pior é Claudia kkk muito brega, só gente velha com esse nome

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    4. O meu nome em nada soa grosseiro, muito pelo contrário eles se complementam muito bem.

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  2. Também não gosto da sonoridade de Jéssica. Não sou do nome, mas gostei da ligação com a literatura.

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    1. Também não sou fã de Patrícia a sonoridade não me agrada.

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    2. A sonoridade do meu nome é maravilhosa.. experimenta aí!!

      É como se estivesse recitando o verso de uma poesia, Jessica ao ser mencionado mostra-se sedutor independente do tom usado, somado à Vanessa transmite alegria e torna-se ousado.

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    3. Agora o que dizer de PAtrícia, um nome simples, sem brilho e sem cor. Soa como algo caindo, um estrondo surgindo, algo quebrando e perdendo o valor.

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  3. Lembro que certa vez comentei com alguém o seguinte: "Jessica e Bruna são nomes que são partes da vida de todo mundo". Porque ou são os nomes de uma prima, de uma amiga, de uma vizinha, colega etc, etc... Lembro-me de certa vez ter estudado com três Jéssicas/Géssicas na verdade eu estudei praticamente a vida toda com mais de uma Jéssica. E fui tentar fazer as contas de quantas conheci durante a vida e me perdi. E bem por ser um nome que ouvi em demasia perdeu-se o encanto para mim não o considero feio apenas está longe dos meus favoritos.

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    1. Já conheci tantas Helens que passa um ar tão comum e barato, não gosto desse nome

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    2. Acho Helen tão comum, brega e sem graça, não gosto desse nome tbm

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  4. Acho meu nome lindo, um complementa o outro. Digo sempre pra minha mãe que ela não poderia ter me dado nome mais bonito ♡

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  5. Gosto do meu nome, apesar de hj em dia as pessoas preferirem “ Laura, Alice, Valentina, Antonella “ eu sou super satisfeita com meu nome 😌

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  6. O nome, por si só, é bonito, a sonoridade e a história que carrega. Eu me chamo Jéssyca, mas tive que buscar recursos, como entender a origem e o legado shakespereano pra gostar. Porque, infelizmente, aqui no Brasil se tornou tão popular, que perdeu a aura de sofisticação. Sempre vi Jéssica em meninas da classe mais humilde ou estilo "povão", sinto um Q de "moleca" pelo perfil brasileiro de Jéssicas (como nome único). Nunca vi, por exemplo, uma avó Jéssica e raramente se vê uma business woman elegante Jéssica, e talvez isso contribua pra eu sentir o nome meio infantil.

    E não gosto da ideia de "tendência" - além de você ser só mais uma no meio do povão, você fica marcada por uma época e as pessoas já sabem sua idade só por você ter um nome que explodiu em uma década e sumiu depois.

    Eu acho nomes clássicos e atemporais mais elegantes e nomes raros mais interessantes e autênticos.

    E acho que fica lindo se combinado com outro nome menos saturado, como o Jessica Alexandra. Dá mais personalidade num nome que, infelizmente, ficou muito marcado como trend, e por isso, sem diferencial.

    Vejo como positivo o fato dele não ser mais tão comum hoje. Pode ser que um dia ele alcance um patamar de clássico, refletindo a sua origem literária. Aí sim a sua essência e sonoridade, que é linda, será mais clara.

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    1. Me lembro das vezes que fiz provas como o Enem: era uma sala inteira só de Jéssicas (em suas variações gráficas) e mais metade de outra sala. O fato de você ser quase sempre mais uma de tantas outras Jéssicas na vida das pessoas é bem desencantador.

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  7. O nome, por si só, é bonito, a sonoridade e a história que carrega. Eu me chamo Jéssyca, mas tive que buscar recursos, como entender a origem e o legado shakespereano pra gostar.

    Infelizmente, aqui no Brasil se tornou tão popular, que perdeu a aura de sofisticação - ser popular, significa ser também banal e também do povo. Então sinto um Q de "moleca" ou "povão" pelo difusão desse nome entre o pessoas mais comuns no Brasil - assim como o Jhenifer, os dois parecem a tentativa de ostentar luxo com etiqueta cara e comportamento vulgar (no sentido de "do povo" dessa palavra). Nunca vi, por exemplo, uma avó Jéssica e raramente se vê uma business woman elegante Jéssica, e talvez isso contribua pra eu sentir o nome meio infantil e empobrecido.

    Não gosto da ideia de "tendência" - além de você ser só mais uma Jéssica na vida de todas as pessoas, você fica marcada por uma época e as pessoas já sabem sua idade só por você ter um nome que explodiu em uma década e sumiu depois.

    Me lembro das vezes que fiz provas como o Enem: era uma sala inteira só de Jéssicas (em suas variações gráficas) e mais metade de outra sala.
    E também passei pela experiência de ser namorada de um rapaz enquanto o pai dele namorava outra Jéssica, da minha idade, e era sempre estranho saber que pai e filho se relacionavam com mulheres da mesma idade e mesmo nome.

    O fato de você ser quase sempre mais uma de tantas outras Jéssicas na vida das pessoas é bem desencantador.

    Eu acho nomes clássicos e atemporais mais elegantes, se esse é o objetivo.
    E nomes raros mais interessantes e autênticos, te tornam única a começar pelo nome - fica possível se combinado com outro nome menos saturado, como o Jessica Alexandra. Dá mais personalidade num nome que, infelizmente, ficou muito marcado como trend, e por isso, sem diferencial.

    Vejo como positivo o fato dele não ser mais tão comum hoje. Pode ser que um dia ele alcance um patamar de clássico, refletindo a sua origem literária. Aí sim a sua essência e sonoridade, que é linda, será mais sobressaltada e clara.

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